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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Memórias do Holocausto!


O Escritor Israelense Aharon Appelfeld;

Vivemos tempos de recrudescimento do anti-sionismo e semitismo. A situação chegou ao cúmulo da negação do Holocausto empreendida por regimes teocráticos e organizações extremistas islâmicas. Outro agravante é o fato da literatura israelense ser pouco conhecida no Brasil. Alguns já ouviram falar em Amós Oz, mas poucos em Aharon Appelfeld. Para o crítico literário Israelense, Gershon Shaked, Appelfeld é “o mais judeu dos escritores israelenses" e sua literatura é comparada a de Mestres como Franz Kafka. Appelfeld é um sobrevivente do Holocausto e sua obra retrata os que se encontram no raio de ação deste cataclismo.

Suas obras são de grande provocação intelectual e psicológica. Ele é apontado como um dos maiores Escritores Israelenses da modernidade. Em 1983, foi agraciado com o Prêmio Israel   de Literatura e em 2005 com o Prêmio Nelly Sachs. Infelizmente, entre nós, o estudo de sua obra permanece restrito aos elevados círculos acadêmicos. Recentemente, tive a oportunidade de adquirir e ler as traduções das novelas Badenheim, 1939 e Tzili. Badenheim retrata Judeus em processo de assimilação cultural, surpreendidos pelo terror nacional-socialista. Paralelos culturais e psicológicos podem ser traçados com a colônia judaico-alemã de Rolândia, retratada e analisada por Kosminsky em Rolândia, a Terra Prometida.  

Para Rifka Berezin, Docente de Língua e Literatura Hebraica da USP, a obra de Appelfeld é um testemunho autêntico sobre o Holocausto: Em seu interior pulsam os horrores e as perseguições que sua geração enfrentou na infânciaMedo e perseguição os são motivos centrais nas suas obras. Para ele, o homem judeu que passou pelo Holocausto não poderá jamais apagá-lo de sua mente. Ele é marcado pelo seu passado e pelas suas lembranças.

Já o psicanalista carioca Davy Bogomoletz afirmou: Egito, Babilônia, Primeiro Templo, Segundo Templo, Massada, Espanha, e agora Holocausto. São marcas indeléveis, cicatrizes que talvez, um dia, parem de sangrar, mas que não deixarão de doer. A obra de Aharon Appelfeld constrói um monumento em honra dos destroçados, diante do qual caímos de joelhos. Não por veneração, coisa proibida pelo Judaísmo, mas pela impotência de permanecermos de pé. Appelfeld não é apenas um artista. É uma testemunha de acusação no Tribunal da História. Eis uma valiosa dica de leitura para nossos leitores!

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