terça-feira, 7 de maio de 2019

Memórias de Cume: História do Montanhismo Paranaense!



O Clube Paranaense de Montanhismo (CPM) vem desempenhando com louvor a guarda e arquivamento dos Livros de Cume da Serra do Mar Paranaense. Recentemente, o Clube iniciou um interessante projeto de digitalização deste vasto acervo. O Projeto "Memórias de Cume" revela a História do Montanhismo Paranaense sob a ótica de seus protagonistas! Foi bacana encontrar um registro meu no Ciririca, há 10 anos e ler relatos de outros Irmãos, em outras épocas... Pois bem. Paralelamente a este trabalho o CPM também está providenciando a substituição das “caixas” de PVC (que apresentam problemas de resistência e umidade) por novas, metálicas. Um trabalho semelhante precisaria ser feito no Agudo, Serra Chata, Agulha de Maack e no Pico do Meio (todos com "caixas" de PVC). Nossa sugestão: Acredito que seria mais interessante centralizarmos o arquivamento dos Livros da Serra dos Agudos no CPM...

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Os Landmarks da Alma...



Quais são os Landmarks de nossa Ordem? Qual é a compilação correta? Findel, Mackey, Pike, Pound ou outra? E quanto a terminologia? Landmarks, Old Charges ou Rules? Percebe-se que tal problemática é interminável e vêm rendendo centenas de títulos, milhares de artigos e muito debate!
Entendo que os Limites, Regras ou Antigas Obrigações podem ser sintetizadas como a Tradição, construída e aceita, ao longo dos séculos, pelos operários da Arte Real. Obviamente, não se trata de uma Tradição estática. Ela está (ou deveria estar) em constante aperfeiçoamento.
É pacífico que os Landmarks precedem as Constituições dos Grandes Orientes. Desempenham função estrutural, garantindo a sobrevivência da Ordem livre de desfigurações. Portanto, é benéfico para a Maçonaria que este tema seja objeto de apaixonados estudos, reflexões e debates. Que continue assim!
Pois bem. Ultimamente tenho meditado sobre uma outra categoria de Landmarks. Eu os chamo de Manmarks ou Marcos do Homem. Os Manmarks estão relacionados ao Eu Profundo, ou seja, ao que denominamos Alma. Percebe-se que são, portanto, de nossa livre escolha, consciente ou subconsciente.
Meus Manmarks, embora não sejam de minha autoria, foram de minha livre escolha: Os 10 Mandamentos! Não existe, existiu ou existirá Código Moral e Jurídico mais objetivo e perfeito no Universo! O Decálogo revelado por Moshê Rabeinu é, seguramente, a ferramenta primordial para todo Iniciado estabelecer os tão necessários e importantes limites do Eu!

domingo, 14 de abril de 2019

O Sagrado Arco Real de Jerusalém!


Em 1813, por ocasião da formação da Grande Loja Unida da Inglaterra, potência mãe da moderna Maçonaria, declarou-se: “A pura e antiga Maçonaria consiste de três graus e nada mais, ou seja: Aprendiz, Companheiro e Mestre, incluindo a Suprema Ordem do Santo Arco Real”.  O Arco Real de Jerusalém (não confundir com o Real Arco do Rito de York) não é um Grau, mas uma belíssima e tradicional Ordem Simbólica. Suas Cerimônias são denominadas 'Rito Domático', termo empregado na Escócia desde o século XVII para diferenciar os Maçons Operativos dos Geomáticos ou Cavaleiros Maçons. Os primeiros registros das reuniões Domáticas ocorreram em 1793. No sistema inglês (Emulation Work) a Ordem é o ápice do Mestrado! Em nosso Estado, os Capítulos do Arco Real estão jurisdicionados à Grande Loja do Paraná e têm como Sumo Sacerdote, o Sereníssimo Grão Mestre, Valdemar Kretschmer. Todos os trabalhos do Rito Domático são dedicados à glória do Verdadeiro e Eterno Deus e ao estudo de sua Sagrada Torah. No último dia 07, o Capítulo Cavaleiros da Paz nº 05 empreendeu sua primeira Exaltação em Londrina. Sem dúvida, trata-se de um marco para a Maçonaria Norte Paranaense. Nossos agradecimentos aos Irmãos Fundadores e à muito respeitável Grande Loja do Paraná pelo belíssimo Trabalho! 

sábado, 6 de abril de 2019

A conquista do Pico do Meio na Serra Grande de Ortigueira!

Livro de Cume do Pico do Meio!

A história começa há mais de uma década, quando iniciei minhas peregrinações pela Serra dos Agudos. Naqueles tempos fazíamos a Travessia São Jerônimo/Pico Agudo (hoje esquecida) partindo do sítio do Frater Andrez Truber e cruzando o belíssimo vale do Rio Esperança até nosso Templo Maior. Era uma travessia do balacobaco, porém desconfio que as trilhas não existam mais... 
As estradas eram precárias. Chegar ao pé do P.A. (via Lambari), somente em um 4x4. O jeito era enfrentar quilômetros de caminhada, seguida por muito colonhão, samambaia e unha de gato. O prêmio pelas gotas de suor e sangue derramadas (bem como pelas roupas e mochilas rasgadas) era o visual incrível daquelas montanhas agrestes, frequentadas por poucos...
Desde meu primeiro contato com a Serra, fixei como meta percorrer todos os seus cumes. De lá para cá, estive no Agudo, Agulha de Maack, Taff, Serra Grande, Serra Chata e no último dia 30, no Pico do Meio (1.135 metros s.n.m. segundo a Carta  MI-2785-3 do IBGE). Resta o Portal...
Pois bem. Planejamos a trip na véspera. A meta era fazermos o Pico do Meio, o Portal e acampar na Serra Grande. Demos uma rápida olhada no Google Earth e decidimos ir pelo distrito de Briolândia.  Preparei areia, cimento e o tubo para o Livro,  pegamos a triton do meu pai e decidimos sair de Rolândia às 4h.
Às 3h30 meu cunhado Lucas Zerbinati já estava na porta de casa! Fiz o mate, acordei o Thomas (meu filho de 13 anos) e partimos! A viagem transcorreu bem até o Bairro dos França onde ficamos parados para abastecer até o posto abrir. Neste meio tempo descobrimos que o estepe havia sido roubado. Se o pneu rasgasse na Serra, estaríamos fodidos! Fizemos figas e seguimos em frente...
A estrada até Briolandia é tranquila. O trecho mais off-road começa após um grande reflorestamento. Engatamos 4x4 e eis que a viatura travou. Bate cabeça, problema resolvido e alcançamos o colo entre a Serra Grande e o Pico do Meio próximo às 8h. Nosso nível de cortisol já estava altíssimo...  

Vara mato na crista do Pico do Meio!

Sem delongas, partimos em direção a crista da Montanha. Após transpormos um trecho de colonhão (me lembrei do Pico Agudo, no início) ingressamos em um belíssimo fragmento de mata nativa que envolve toda a parte superior da Montanha. A presença de  exemplares de Peroba, Gabiroba, Canjarana, Caviúna, Ingás, Xaxim, etc. indicam que a área nunca foi desmatada.
Após uma hora de caminhada, ingressamos nos campos da parte superior da Montanha. A partir daí a coisa ficou desgastante! A vegetação é um emaranhado claustrofóbico de unha de gato, samambaias (Pteridium arachnoideum), capim gordura, lianas, arbustos e bromélias  espinhentas (Dyckias)... Cada metro percorrido nos custava um esforço descomunal... Não havia nenhum indício de presença humana por ali, fato posteriormente confirmado pela Lucrécia Guerreiro, Guia Turística nascida e criada na região, bisneta de colonizadores.  

Serra Grande, Rio Tibagi, Pico Agudo e Serra Chata.

Enquanto recobrávamos o fôlego, decidi subir em um arbusto para nos situar. Foi aí que me deparei, ao Norte, com o visual inédito do Rio Tibagi atravessando a Serra Grande e o Pico Agudo e, ao Sul, consegui avistar (uns 300 metros acima) o Perau que antecede o Cume! Estávamos indo bem...
Quando alcançamos o Perau, identificamos uma rocha saliente, excelente ponto para instalação do Livro. Decidimos seguir um pouco mais acima até o Cume que é amplo e oferece um lindo visual do lado ocidental e sul do Pico. Trata-se de uma área coberta por vegetação virgem com altura média de 1,20 metro, salpicada de arbustos e dracenas. É o espaço ideal para futuros acampamentos!
Dali, decidimos retornar para a Pedra que havíamos escolhido para o Livro. Enquanto eu preparava a argamassa, o Thomas assinou o livro de ponta cabeça... Poderia ter arrancado a página, mas nem pensamos nisso: Estávamos mais ocupados em processar toda aquela intensidade existencial! Guardamos o Livro, assentamos o Tubo, fizemos um lanche e descansamos um pouco... Decidimos abortar o Portal e, perto das 11h, retornamos.
Por razões óbvias, a descida foi mais tranquila. Perto das 12h conhecemos a turma da Lu e do Rato (Edilson Marques Reis) que haviam cruzado Tibagi de barco para acampar na Serra Grande! Eles confirmaram que a Fazenda foi comprada pela COPEL para fins de reflorestamento mitigatório em decorrência do alagamento provocado pela Usina Mauá. A sede da propriedade já foi demolida.
Perto das 14h30 decidimos subir a Serra Grande. Às 16h já estávamos com nosso acampamento montado. Caminhamos tranquilamente pelo cume observando ângulos maravilhosos do Agudo. A noite, céu limpo, estrelas cadentes e as espirais da Via Láctea ao alcance dos olhos... Fomos dormir realizados! Às 5h30 o despertador do Thomas tocou. Ele saiu da barraca e não voltou mais... Às 6h saí para ver o alvorecer emoldurado por um mar de nuvens fodástico!
Contemplamos a paisagem, tomamos um café, desmanchamos o acampamento e às 9h nos despedimos do pessoal. Graças à Deus, o pneu não furou, a embreagem não travou e às 12h30 chegamos em Rolândia para almoçarmos com a Família em uma boa Churrascaria! Valeu, Thomas e Lucão! Missão cumprida com louvor.

Amanhecer na Serra Grande!