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domingo, 3 de abril de 2016

Pessoa, Iniciação e Maçonaria!


Sinto por Fernando Pessoa um Amor Fraternal e devoto-lhe o respeito devido a todos os Grandes Mestres. Centenas de estudiosos, ao longo do último século, foram unânimes em classificá-lo como o maior escritor contemporâneo da Língua Portuguesa. Entretanto, não se trata apenas de gênio literário; Pessoa é um Iniciado. Poucos escritores conseguiram alcançar semelhante profundidade metafísica. Em 1935, indagado pelo amigo e poeta Adolfo Casais Monteiro, Fernando Pessoa discorreu sobre sua visão e relação com o ocultismo, in verbis: Creio na existência de mundos superiores ao nosso e de habitantes desses mundos, em experiências de diversos graus de espiritualidade, sutilizando-se  até chegar a um Ente Supremo, que presumivelmente criou este mundo. Pode ser que haja outros Entes, igualmente Supremos, que hajam criados outros universos, e que esses universos coexistam com o nosso, interpenetradamente ou não. Por estas razões, e ainda outras, a Ordem  Externa do Ocultismo, ou seja, a Maçonaria, evita a expressão "Deus", dadas as suas implicações teológicas e populares, e prefere dizer "Grande Arquiteto do Universo", expressão que deixa em branco o problema de se Ele é criador ou simplesmente Governador do mundo. Dadas estas escalas de seres, não creio na comunicação direta com Deus, mas, segundo a nossa afinação espiritual, poderemos ir comunicando com seres cada vez mais altos. Há três caminhos para o oculto: o caminho mágico (incluindo práticas como as do espiritismo), caminho esse extremamente perigoso, em todos os sentidos; o caminho místico, que não tem propriamente perigos, mas é incerto e lento; e o que se chama de caminho alquímico, o mais difícil e o mais perfeito de todos, porque envolve uma transmutação da própria personalidade que a prepara, sem grandes riscos, antes, com defesas que os outros caminhos não tem. Quanto a "Iniciação" ou não, posso dizer-lhe só isto: não pertenço Ordem Iniciática alguma. A citação epígrafe ao meu poema Eros e Psique, de um trecho (traduzido, pois o Ritual é em latim) do Ritual do Terceiro Grau da Ordem Templária de Portugal, indica simplesmente- o que é fato - que me foi permitido folhear os Rituais dos três primeiros graus dessa Ordem, extinta, ou em dormência desde 1888... (Alguma Prosa, p. 55 e 56).

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