sexta-feira, 11 de junho de 2021

Puro Montanhismo vem aí!

 

O montanhismo paranaense será brindado com mais uma brilhante obra. Escrita por Júlio César Fiori e orientada pelo lendário Henrique Paulo Schmidlin (Vitamina) o livro de 365 páginas é uma autêntica enciclopédia sobre todas as fases do Montanhismo Paranaense (desde a conquista do Marumbi, em 1879, até os dias atuais). As empreitadas pioneiras nas principais montanhas da Serra do Mar estão perfeitamente ambientadas nos respectivos contextos históricos tornando a narrativa ainda mais interessante e envolvente. Os detalhes das incursões, mapas, planejamento, relatos e fotografias de época constituem um valioso trabalho de pesquisa. A obstinação dos principais personagens do nosso Montanhismo é retratada em uma prosa da mais alta qualidade literária. Outro inegável mérito é manter viva a tradição, o pioneirismo e o espírito de conquista do Montanhismo Paranaense nestes 141 anos de História. Nesta obra apaixonante e inspiradora, tive a honra de colaborar, modestamente, com um Capítulo sobre os Agudos do Tibagi. Sem dúvida, trata-se de uma leitura que expandirá os horizontes de todos os amantes das nossas Montanhas!

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Mais uma batalha vencida!

Algumas horas após o procedimento...

Nos últimos anos as provações se sucederam de maneira mais intensa. Aos 36, fui acometido por uma retite inespecífica que me afligiu por dois anos. Vencida esta enfermidade, por insistência de minha esposa, fiz minha primeira consulta ao cardiologista. Foi quando descobri uma arritmia ventricular complexa. Fiquei atônito com a notícia, afinal pratico esportes desde a adolescência e nunca senti qualquer mal-estar... Achava estranho não conseguir contar as pulsações após os tiros de natação, mas ali estava a resposta! Dr. Sant´Ana receitou um tratamento com hemifumarato de bisoprolol e eu segui minha rotina assintomática de trabalho e esportes por dois anos... No fim de 2020, resolvi retornar ao médico e novos exames indicaram que, apesar da medicação, as arritmias estavam em 33%! Eram mais de 29.000 por dia! Foi foda... Meu médico pediu uma ressonância magnética do coração para investigar possíveis causas. Este exame é do balacobaco, principalmente durante o estresse farmacológico provocado por Dipiridamol. Pois bem. Felizmente, a ressonância revelou que tenho um coração saudável, logo minha arritmia provavelmente era de origem congênita. Preocupado, meu cardiologista resolveu dobrar a dose do medicamento, enquanto eu (por conta própria) resolvi cortar a cafeína e reduzir a nicotina. Em maio repeti o Holter e as arritmias continuavam superiores a 30%. O médico explicou que poderíamos tentar outras drogas, mas, com o tempo, os efeitos colaterais seriam inevitáveis. Deixar a situação como estava também não era opção, pois, com os anos, a arritmia poderia me levar à insuficiência cardíaca. Foi então que ele me recomendou fazer uma ablação. Este procedimento, por cateter, identifica a origem da arritmia e a cauteriza, eliminando o problema. Topei na hora! Ele me encaminhou ao Dr. Cláudio Caetano de Faria Jr. que solucionou minhas dúvidas e marcou a cirurgia. Tudo isso levou duas semanas. O procedimento foi tranquilo. Dr. Cláudio revelou que o foco da arritmia estava no interior do músculo cardíaco, o que exigiu uma minuciosa cauterização. Fiquei seis horas em recuperação e recebi alta no mesmo dia. Minha esposa tem auscultado meu coração e não notou nenhuma arritmia até o momento! Em duas semanas passarei por nova avaliação. Segundo os médicos, com o coração normal, terei mais disposição, embora esta nunca tenha me faltado nestes 40 anos. Em poucos dias retornarei ao trabalho, logo mais aos treinos e após um mês, à Montanha onde pretendo lançar-me em mais uma empreitada inédita em parceria com nosso Grão Mestre Henrique Paulo Schmidlin (o Vitamina) e seu Adjunto, o Grande Júlio César Fiori. Meus agradecimentos à equipe médica e aos que oraram pelo sucesso do procedimento! Le Chaim!

segunda-feira, 17 de maio de 2021

Apenas um excêntrico?


Desde criança fui considerado um excêntrico. Minhas brincadeiras eram totalmente incomuns. Convenhamos: Quantas crianças se divertem construindo chaminés, encanamentos ou redes elétricas de maneira obstinada? Quantas acham graça em brincar de serem candidatas, com direito a santinhos, cartazes e comícios na vizinhança? Em 40 anos de vida, não encontrei outra. Poderia continuar enumerando diversos outros hiperfocos do pretérito ou do presente, mas creio que estes exemplos já são suficientes. Embora tenha desenvolvido habilidades comunicativas (benefício que a política me trouxe, a custo de alguns traumas), confesso que sempre tive dificuldades em entender certas regras, comportamentos e etiquetas sociais. Até hoje, apesar da vigilância constante, vez ou outra, dou um bola fora... O que para a maioria é normal, para mim não faz muito sentido e vice-versa! Apesar dos pesares, com o tempo fui me conformando e adaptando... Eu sou assim, fazer o quê! Pois bem. Há um ano, um dos meus filhos foi diagnosticado com a síndrome de Asperger (autismo leve ou de alto desempenho). Como a síndrome é genética em 90% dos casos, resolvi fazer o Aspie-Quiz. Nenhuma surpresa: O resultado foi que tenho ambas características (neurotípicas e neurodiversas), ou seja: Provavelmente também estou no espectro! O teste não é oficial, não substitui o diagnóstico médico e possui confiabilidade de 70 a 85%. Mas isto já explica muita coisa...

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Morro Cabaraquara e Pedra Branca do Araraquara!

Baía de Guaratuba, vista do Cume do Cabaraquara!


Sempre que desço ao Litoral, procuro encaixar uma Montanha no itinerário, afinal pé vermelho não pode perder a viagem! 2021 foi a vez de duas belíssimas Montanhas de Guaratuba: O Morro do Cabaraquara (480 metros s.n.m), localizado no lado direito da Baía, no Parque Nacional Saint Hilaire/Lange e a Pedra Branca do Araraquara (1.230 metros s.n.m) imponente maciço que se destaca para quem trafega na BR 101/376, na divisa entre Paraná e Santa Catarina.

No primeiro dia de sol, o destino escolhido foi o Cabaraquara. Acompanharam-me esposa, sogro e o filho do meio, Benjamin (10 anos). Deixamos o carro no estacionamento do Ferry Boat e cruzamos a Baía na Balsa. Caminhamos até a base da Montanha e logo ingressamos em uma estradinha que sobe em direção ao Morro. Encontramos o início da trilha entre ruínas de uma antiga chácara. Cruzamos um riacho, onde nos refrescamos do calor do verão.

Benjamin no Riacho...


A caminhada se dá, toda, por fragmentos preservados da exuberante Mata Atlântica. O Benjamin, apesar do cansaço, conseguiu manter um bom ritmo e em cerca de uma hora alcançamos o cume florestado da Montanha, pelo lado oposto à Baía. Seguimos a trilha até uma clareira de onde se têm um belo visual da Baía e seus manguezais, Cidade de Guaratuba e das Serras do Araraquara (nosso próximo destino), Guarapari e do Quiriri, lá no fundo da Baía...

Uma caminhada leve e gratificante, obrigatória para quem curte um visual de Montanha e está de férias em nosso Litoral. Com um dos objetivos concluídos, passei os dias seguintes praticando natação e lagarteando na praia. Os dias estavam excelentes, o mar calmo e cristalino e, por este motivo, acabei adiando a Pedra Branca do Araraquara até a véspera de nosso regresso...

Cidade de Guaratuba, vista do Cume.


Infelizmente, não foi uma boa decisão. O dia escolhido amanheceu meio cagado, com muitas nuvens na Serra, mas um tímido solzinho no Litoral. Se não fosse agora, só ano que vem. Intimei a esposa e meu filho mais velho e eles acabaram aceitando arriscar a presepada. Fomos perguntando até encontrar uma Chácara, praticamente na margem da BR 101/376 de onde partimos de ataque, por volta das 9h. 

Mamãe, no início da Caminhada.

Atravessamos o Rio São João por uma pinguela e seguimos pelos oleodutos da Petrobrás até uma "quase" imperceptível trilha. Seguimos uns 30 minutos até a estrada abandonada que, segundo relatou o Fiori, era utilizada por madeireiros em meados do século passado. Este caminho é perceptível e segue acompanhando o Rio Bonito até atingir a crista da Serra, de onde parte a trilha que leva ao cume da Montanha, em um traçado natural e bastante óbvio.

Trecho da trilha na antiga estradinha

Seguimos em um ritmo forte até alcançarmos o platô da Serra. O cenário era de tela branca, intercalada por períodos de garoa. Em um dos mirantes, conseguimos avistar a BR 101/376, a praça de pedágio e os contrafortes da Serra do Quiriri. Às 11h paramos no riacho do Platô para lanchar e descansar. A trilha estava fechada, pois, segundo os moradores, 2020 foi um ano de pouco movimento nesta Montanha.

Tocamos em frente mais uma 1h30 e nada de chegarmos ao bendito livro! A tela branca e a garoa não davam trégua e a família começou a desanimar. Tentei manter o moral da equipe, mas a patroa decidiu parar, dando alvará para prosseguirmos. Não gosto deste tipo de situação, mas abri uma exceção, pois sentia que o Livro estava perto. Segui com o Thomas, quando percebi uma cumeada destacada na tela branca. Aceleramos e, ao chegar ao cimo, encontramos o Livro! Eram 12h45. A garoa começou a engrossar, fizemos nosso registro, algumas fotos e retornamos no trote!

Thomas assinando o Livro de Cume.

Cerca de 15 minutos depois encontrei a mamãe. Expliquei que o livro estava pertinho, mas ela se deu por satisfeita. Partimos sem delongas, afinal teríamos mais 7 km de trilha sob chuva. Alguns escorregões aqui e ali e, quando deixamos o platô, a tela branca se dissipou. Era uma nuvem, estacionada no cume! Dali por diante, aproveitamos melhor o espetáculo de sons e cores da Mata Atlântica. Apesar dos percalços, a Pedra Branca do Araraquara é uma Montanha fodástica que faz jus a sua fama: Um dia, retornaremos...