quarta-feira, 24 de junho de 2026

Sobre crentes e ateus...

 

Desconfio da convicção de todo ateu pela mesma razão que desconfio da certeza de todo crente: Se é impossível para a mente humana captar e compreender a grandeza do universo (que é finito) quem dirá a sua origem (no infinito).

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Maçonaria & Companheirismo

 

Pelo título você poderá pensar que encontrará aqui comentários sobre a célebre obra de René Guénon. Não. Tomei o título emprestado apenas para tecer uma breve reflexão acerca de meu aprendizado ao longo de trinta anos na Ordem DeMolay e nove na Maçonaria. Desde os idos de 1996, compreendi o valor do companheirismo. Esta é, aliás, uma virtude cardeal da Ordem DeMolay. Guardo no coração o nome e a lembrança de cada Irmão que esteve ao meu lado ao longo desta longa jornada. Definitivamente: Nossas cerimônias não são fórmulas vazias! Elas nos ensinam que não podemos falsear nossos votos, amigos e irmãos. Com efeito, se você deu sua palavra ou assumiu um compromisso, mantenha! Contratos só deveriam ser necessários no mundo profano. Durante três décadas tenho me esforçado em viver por este ensinamento. DeMolay e Maçonaria não dizem respeito apenas aos cargos exercidos. É estar ao lado dos irmãos, apoiando e orientando. É discordar no privado, apoiar em público ou permanecer em silêncio quando não for possível falar bem de um Irmão na presença de um não iniciado. Muitas vezes é difícil? Sim. Principalmente quando um irmão nos abandona ou magoa. Mas, observem: Quantas vezes isso não ocorre no seio de nossa própria Família? Pouco tenho lido em nossas publicações (ou ouvido em nossos Templos) sobre o valor que têm o padrinho em nossa jornada. Jamais se esqueça: Foi ele quem lhe deu o primeiro voto de confiança. Foi graças a ele que as portas da fraternidade se abriram para você. Desmerecer ou abandonar seu padrinho é como desmerecer a um pai. Desmerecer o Capítulo ou a Loja que te iniciou (por ego ou vaidade) é como virar as costas à família. Sua Loja (ou Capítulo) pode não ser a maior, a mais velha ou mais badalada, mas foi a Loja que lhe recebeu! Foi por ela que você passou a ter um vínculo indelével com a Maçonaria Universal. Você pode mudar de Loja, Capítulo ou Potência por diversas razões ou necessidades, mas procure manter intacto esse vínculo em seu coração. Lembro-me de uma ocasião em que me perguntaram (com certa ironia) porque eu não havia sido iniciado em tal e qual Loja. Respondi apenas o seguinte: Um maçom iniciado em uma “pequena” Loja é menos maçom do que o iniciado em uma Loja "maior"? Creio que não! Não se mede um maçom pelo cargo, Loja, Rito ou Potência. Se mede por sua dedicação à família, aos estudos, ao trabalho e aos irmãos. Em Loja e fora dela! Jamais procure na Ordem cargos, honrarias ou status, pois: Tudo isso é vaidade e vento que passa! Seja grato ao seu padrinho e aos irmãos de sua Loja mãe - por mais divergências que tenha com um ou outro Irmão. Por fim, registro meu testemunho: Sou grato ao Capítulo Getúlio Pereira Salerno, à Loja François Voltaire e aos meus padrinhos Geraldo Gonçalves Filho (de abençoada memória) e Clodoaldo Machado. Grandes maçons. Exímios escotistas! Ao longo de três décadas fui padrinho de vários Irmãos nas Ordens DeMolay e Maçônica. Imagino como agiria se um deles, algum dia, me decepcionar... Pois bem. Deixaria o tempo amainar a tristeza e os perdoaria, afinal: Esta deve ser a atitude de um pai e, guardadas as devidas proporções, também a de um padrinho! Tenho dito.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Pico Jurapê: A Montanha de Schmalz!

Pico Jurapê, em Joinville

11 de fevereiro demos sequência a nossa peregrinação anual pela Serra do Mar norte catarinense, aproveitando a estadia em Guaratuba. A montanha da vez foi o Jurapê (1.149 metros s.n.m.), berço do montanhismo catarinense e considerada uma das mais desafiadoras do Estado, pelos montanhistas vizinhos. 
Em 06 de junho de 1886, Johan Paul Schmalz acompanhado por Bruno Clauser, Hahn, Jacob Schmalz, Otto Delitsch e mais dois sujeitos definidos como “alugados” (creio que foram contratados) atingiram o cume do Jurapê (a montanha mais imponente de Joinville), após três dias abrindo picada pela floresta.
No dia anterior, estive em Morretes realizando boia cross com a família no Nhundiaquara. A previsão para o dia seguinte estava ótima. Acordei as 6h e fui para a sacada de onde observei uma visão perfeita dos contrafortes da Serra do Quiriri: Acordei o Thomas, arrumamos a mochila e pé na estrada!
Chegamos ao início da trilha seguindo o Maps e logo identificamos a porteira. Fomos seguindo a intuição (costumo usar carta e bússola, mas estava sem impressora na praia). Fiquei aliviado quando encontrei a segunda porteira com uma placa da prefeitura sobre cuidados com os macacos. Já eram 9h!
Thomas fazendo macaquices...

O capim estava alto e o Thomas foi seguindo o caminho mais batido. Chegamos a um córrego e a trilha sumiu. Fizemos uma varredura e encontramos apenas as mangueiras que abastecem o sítio. Seguimos rio abaixo e saímos em uma caixa d´água de onde se observa a propriedade rural, ou seja: Fim da linha! 
Subimos uns 70 metros rio acima e nada de trilha. Perdemos uns 40 minutos e notei que o Thomas estava ficando preocupado. Falei para ele que, como não tínhamos GPS, o jeito era voltar até a placa do macaco e procurar a trilha certa. Fui na frente e antes de chegar à porteira notei um rastro à direita...
Parei, olhei e notei uma fita desbotada. Era por ali.  Alguns metros à frente deixamos o capim e entramos na Mata Atlântica. Percebi que dali em diante não teria erro, pois é uma trilha consolidada. Aceleramos mesmo sob o calor infernal de verão: Em pouco tempo já estávamos encharcados dos pés à cabeça!
Notei que o Thomas estava quieto e mais lento que de costume. Disse-me que a pressão estava baixa (justamente o que eu pensei). Pedi para ele se hidratar, diminuí o ritmo e seguimos. Chegamos ao primeiro rio perto das 10h. Paramos, tomamos uma ducha na “cachu” e fizemos um lanche reforçado.

Thomas na cachuzinha

Subimos o lance de correntes e mais um tanto antes de chegar ao primeiro mirante para o Jurapê. Ainda havia um longo aclive pela frente. Logo chegamos ao segundo córrego e dali para cima o Thomas foi valente. O calor intenso somado a alta umidade da mata tornavam a montanha uma verdadeira sauna!

Cume do Jurapê, visto da trilha

Chegamos ao cume próximo às 12h30. Segui a trilha até o mirante de onde se observa uma visão privilegiada de Joinville, cidades do entorno, planície litorânea, baía da Babitonga e parte da ilha de São Francisco. O Thomas foi descansar sob uns arbustos e pus-me a procura da caixa do livro de cume.

Thomas no mirante para Joinville
Fiquei rodeando a área e nada de livro. Consegui um sinal e perguntei a IA onde ela estava, eis a resposta: A Caixa encontra-se no cume, onde há espaço para barracas e debaixo de uns arbustos. Pensei: cacete, aqui não está! Voltei e notei que a trilha continuava descendo. Apesar de não usual, só podia ser ali...
Poucos metros adiante há outro espaço para acampamento (sem mirante, um charco) e a caixa estava lá, sob uns arbustos. Peguei o caderno (na verdade é uma agenda) e como as assinaturas estavam fora de ordem, escolhi a página 20 de dezembro (data de meu aniversário) e registrei nossa passagem por ali.

Assinando o livro de cume

Após 1h no cume o Thomas já estava recomposto e pior: com pressa! Queria passar em uma tabacaria em Joinville para comprar fumo de corda. Partiu na frente, acelerando. Eu fui atrás...  Até disse para ele que daria tempo, mas jovem é foda. Acabei escorregando e bati a costela em um tronco. Levantei e pensei: Isso aqui vai doer umas 2 semanas... Que falta me fez uma cargueira nas costas!


Um dos mirantes da trilha

Ao chegar na cachuzinha, paramos novamente: A água gelada na costela me fez bem... Comemos o resto do lanche e fumamos. Recompostos, seguimos em bom ritmo. Chegamos ao carro perto das 16h com tempo de sobra para visitar a tabacaria. Como o Thomas estava na boleia, paramos em uma pizzaria onde tomei 1,5 litros de choop em minutos: Um brinde à Montanha de Schmalz!

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Escola Austríaca, Rand e Rush!

 

A cada dia desperto um novo eu. Quem me conhece sabe que não tenho receio algum em mudar de opinião. Aprendi que os fatos sempre se encaixam, por mais desconexos que pareçam. Em cada uma das minhas fases existenciais tive um padrão musical e literário. Todos foram importantes. Fui abandonando o pensamento de esquerda quando tomei contato com a Escola Austríaca de Economia. Neste período, em literatura, foi uma fase de Kundera, Soljenítisin, Kertész, Ayn Rand e, na música: Rush!  Além da genialidade artística, o trio canadense é a síntese musical de minha visão atual de mundo, vida e indivíduo, além de ser um grito atemporal contra todas as formas de totalitarismo: “Saiba que seu lugar na vida, é onde você quer estar!”