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Pico Jurapê, em Joinville
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11 de fevereiro demos sequência a nossa peregrinação anual pela Serra do Mar norte catarinense, aproveitando a estadia em Guaratuba. A montanha da vez foi o Jurapê (1.149 metros s.n.m.), berço do montanhismo catarinense e considerada uma das mais desafiadoras do Estado, pelos montanhistas vizinhos.
Em 06 de junho
de 1886, Johan Paul Schmalz acompanhado por Bruno Clauser, Hahn, Jacob Schmalz,
Otto Delitsch e mais dois sujeitos definidos como “alugados” (creio que
foram contratados) atingiram o cume do Jurapê (a montanha mais imponente de Joinville), após
três dias abrindo picada pela floresta.
No
dia anterior, estive em Morretes realizando boia cross com a família no
Nhundiaquara. A previsão para o dia seguinte estava ótima. Acordei as 6h e fui para
a sacada de onde observei uma visão perfeita dos contrafortes da Serra do
Quiriri: Acordei o Thomas, arrumamos a mochila e pé na estrada!
Chegamos
ao início da trilha seguindo o Maps e logo identificamos a porteira. Fomos
seguindo a intuição (costumo
usar carta e bússola, mas estava sem impressora na praia). Fiquei aliviado quando encontrei a segunda porteira com
uma placa da prefeitura sobre cuidados com os macacos. Já eram 9h!
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| Thomas fazendo macaquices... |
O capim estava alto e o Thomas foi seguindo o caminho mais batido.
Chegamos a um córrego e a trilha sumiu. Fizemos uma varredura e encontramos
apenas as mangueiras que abastecem o sítio. Seguimos rio abaixo e saímos em uma
caixa d´água de onde se observa a propriedade rural, ou seja: Fim da linha!
Subimos uns 70 metros rio acima e nada de trilha. Perdemos uns 40
minutos e notei que o Thomas estava ficando preocupado. Falei para ele que,
como não tínhamos GPS, o jeito era voltar até a placa do macaco e procurar a
trilha certa. Fui na frente e antes de chegar à porteira notei um rastro à
direita...
Parei, olhei e notei uma fita desbotada. Era por ali. Alguns
metros à frente deixamos o capim e entramos na Mata Atlântica. Percebi que dali
em diante não teria erro, pois é uma trilha consolidada. Aceleramos mesmo sob o
calor infernal de verão: Em pouco tempo já estávamos encharcados dos pés à
cabeça!
Notei que o Thomas estava quieto e mais lento que de costume.
Disse-me que a pressão estava baixa (justamente o que eu pensei). Pedi para ele
se hidratar, diminuí o ritmo e seguimos. Chegamos ao primeiro rio perto das
10h. Paramos, tomamos uma ducha na “cachu” e fizemos um lanche reforçado.
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Thomas na cachuzinha
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Subimos
o lance de correntes e mais um tanto antes de chegar ao primeiro mirante para o
Jurapê. Ainda havia um longo aclive pela frente. Logo chegamos ao segundo
córrego e dali para cima o Thomas foi valente. O calor intenso somado a alta
umidade da mata tornavam a montanha uma verdadeira sauna!
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| Cume do Jurapê, visto da trilha |
Chegamos
ao cume próximo às 12h30. Segui a trilha até o mirante de onde se observa uma
visão privilegiada de Joinville, cidades do entorno, planície litorânea, baía
da Babitonga e parte da ilha de São Francisco. O Thomas foi descansar sob uns
arbustos e pus-me a procura da caixa do livro de cume.
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| Thomas no mirante para Joinville |
Fiquei
rodeando a área e nada de livro. Consegui um sinal e perguntei a IA onde ela
estava, eis a resposta: A Caixa encontra-se no cume, onde há espaço
para barracas e debaixo de uns arbustos. Pensei: cacete, aqui
não está! Voltei e notei que a trilha continuava descendo. Apesar de não usual,
só podia ser ali...
Poucos metros
adiante há outro espaço para acampamento (sem mirante, um charco) e a caixa
estava lá, sob uns arbustos. Peguei o caderno (na verdade é uma agenda) e como
as assinaturas estavam fora de ordem, escolhi a página 20 de dezembro (data de
meu aniversário) e registrei nossa passagem por ali.
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| Assinando o livro de cume |
Após 1h no cume o
Thomas já estava recomposto e pior: com pressa! Queria passar em uma tabacaria
em Joinville para comprar fumo de corda. Partiu na frente, acelerando. Eu fui
atrás... Até disse para ele que daria
tempo, mas jovem é foda. Acabei escorregando e bati a costela em um tronco. Levantei
e pensei: Isso aqui vai doer umas 2 semanas... Que falta me fez uma cargueira nas
costas!
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| Um dos mirantes da trilha |
Ao chegar na cachuzinha,
paramos novamente: A água gelada na costela me fez bem... Comemos o resto do lanche e
fumamos. Recompostos, seguimos em bom ritmo. Chegamos ao carro perto das 16h
com tempo de sobra para visitar a tabacaria. Como o Thomas estava na boleia, paramos
em uma pizzaria onde tomei 1,5 litros de choop em minutos: Um brinde à
Montanha de Schmalz!
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