Os Paredões da Serra Grande!
Nem só ao Pico Agudo é
dirigida a devoção dos Montanhistas Pés-Vermelhos. Qual de nós, ao chegar
ao ponto culminante da Serra
dos Agudos, não se encantou com a imponência da Serra Grande
(magnífica chapada de aproximadamente 6 km de extensão e 450 metros de altura)
à oeste do Rio Tibagi em Ortigueira, Bairro Natingüi? Todos, seguramente!
Devo agradecer aos
Irmãos de Montanha, Zero, Azevedo, Pantoja, LG e Pacheco pela oportunidade
ímpar de peregrinar pelo setor ocidental do Templo do Montanhismo Norte
Paranaense...
Corria o verão de 2009... O projeto era partirmos de
Londrina, em um 4x4, rumo à Serra Grande para uma travessia Sul-Norte, via
cume.
Mal havia conseguido pegar no sono (era grande a
ansiedade e expectativa) e o telefone toca. Era Pantoja. Afirmou que tão logo
fossem concluídos os reparos mecânicos, o Zero iria me buscar. Olhei
para o relógio, era 1:30 da matina e o Zero só foi aparecer
às 5:30...
Fui apresentado ao pessoal com “The piper at the
gates of down” como pano de fundo musical. Alguns tragos no “Tabaco de
Montanha” e as estrelas no firmamento anunciavam um iluminado final de
semana!
Entramos no Jeep (em um aperto danado) e partimos rumo à Tamarana... Às 8:30 passamos ao largo da Serra do Arreio e logo chegamos à Ponte sobre o Rio Apucarana Grande. A
partir daí, a estrada torna-se mais “off-road” com travessias de rios e ladeiras...

Após duas horas, vencemos um grande aclive sob sol escaldante...
O belíssimo azul de verão era a moldura ideal para a Serra Grande! A “estrada”
ainda nos reservava belos ângulos dos paredões do Morro do Taff e do cume do
Pico do Portal, ambas formações da Serra
dos Agudos.
Após abrirmos e fecharmos várias porteiras, cruzamos a
Serra Grande e o Morro do Meio, único acesso a sede da Fazenda, onde deixamos o
Jeep e iniciamos a caminhada...
Já eram 16:00 hrs quando colocamos o pé no carreador
que leva ao cume. Ascendíamos de maneira rápida. Enquanto o Pico Agudo
escondia-se ao Oriente, a Serra do Cadeado e Pedra Branca descortinavam-se ao
Ocidente.
Após uma caminhada sem maiores percalços, chegamos
ao cume de espantosa
amplitude! Optamos por seguir o lado ocidental do Vale. Caminhamos uns três ou
quatro quilômetros quando chegamos ao fim da trilha! Seguiríamos? Em
Assembléia, decidimos que o retorno era a atitude mais plausível diante do por do sol iminente.
Montamos acampamento sob um grande Ingá ferradura (Ingá
sessilis), próximo ao abençoado Córrego do Cume. Lual
sem nuvens, com direito a muito Tabaco de Montanha, Tequila e um
show de estrelas cadentes...

Ao abrigo do vale, a calmaria era total e a temperatura
extremamente agradável. Acordamos sob um azul intenso, com direito a uma ducha
refrescante no Córrego.
Curados da “ressaca” decidimos retornar em
direção à face oposta, na ânsia pela visão do Cânion, Pico Agudo e Serra do
Cadeado.
Conforme deixávamos o vale e nos aproximávamos do
cume um imenso mar de nuvens descortinava-se!Parêntesis as belíssimas formações de palmeiras Jerivás (Syagrus romanzoffiana). Um pouco mais acima (rumo norte) chega-se a um
amplo campo repleto de Dyckias que emoldura os fantásticos
precipícios montanha abaixo e os imponentes paredões do Pico Agudo à frente.
Regateamos no campo por algumas horas,
quando nos demos conta que uma boa pernada nos aguardava morro abaixo.
Retornamos com direito a um visual deslumbrante do Morro do Meio e Pico
do Portal.
Não realizamos a travessia, mas não havia do que
reclamar. Contornaríamos a Serra Grande de Jeep em uma trilha alucinante, no
interior do Cânion mais profundo do Estado do Paraná.
Curtindo “ummagumma” chegamos a “Távola Redonda” abaixo
da maior Figueira Branca
que vi em minha vida! Como se não fosse suficiente, ainda éramos
abençoados com uma visão espetacular da face totêmica do Pico Agudo.
Próximo ao por do sol contornamos o lado norte da
Montanha e paramos para as tradicionais festividades de crepúsculo, em um
local batizado como Observatório.
Assim que caiu a noite, extasiados, enfrentamos em estado de semi-torpor os vários quilômetros
de estradas "off-road" e de asfalto que
separavam o Templo dos afazeres diários mundanos...