
Por Kleber
Eduardo Men*
Não, caro leitor. Este texto não tem o objetivo de falar sobre
esta famosa dupla da música popular brasileira da década de 1960/70, que foi
achincalhada pela patrulha ideológica de esquerda, mas acredito ser oportuno
levantar uma questão bastante intrigante.
Entre essas ondas de
manifestações que tomam conta do Brasil e, de certa forma, do mundo, não está
faltando alguma coisa? Onde estão os artistas brasileiros? Cadê aquelas canções
com alto teor crítico que se tornaram verdadeiros gritos de guerra? Onde está a
nova Alegria, Alegria? Cadê os novos Vandrés, Caetanos e Chicos? A verdade pode
estar além do que muita gente pode imaginar.
O aparelhamento por parte do governo petista ultrapassa a tradicional
jogada política de distribuição de cargos para manter a governabilidade. Além
desta, é importante manter calado aqueles que podem, de certa maneira, fazer
ecoar com maior intensidade a insatisfação das massas. Com os partidos
políticos, basta arranjar um “carguinho” aqui, criar uma secretaria ali, inventar
um ministério acolá, pronto! Já temos a governabilidade necessária para aprovar
qualquer tipo de projeto. Mas e com os artistas?
Na verdade,
imagino o governo como um sujeito com um osso na mão, fazendo os movimentos
como se fosse a batuta de um maestro, enquanto os artistas são um cachorrinho
dócil recebendo os comandos de sentado! De pé! Rola! Deita! Tudo seguido
daquelas típicas expressões de carinho e gratidão como latidos e abano de rabo,
com a língua de fora implorando para que este osso seja jogado e sua fome seja
saciada. Pois, é. Esse osso chama-se Lei Rouanet.
Esta Lei,
também conhecida como bolsa artista, é o instrumento mais eficaz no combate a
crítica por parte dos artistas da televisão, do teatro e da música. É um
instrumento eficaz no aparelhamento de setores ligados a arte, cultura e o
entretenimento. Você, caro leitor, já se preocupou em saber quais artistas
foram agraciados com esta benesse estatal?
A lista vai de
Rita Lee a Cláudia Leitte. De Daniel a Maria Bethânia. Ou seja, são artistas
consagrados que possuem fãs e prestígio suficiente para arcar com suas próprias
despesas. Ninguém sentiu falta da sempre politicamente correta Letícia
Sabatella nas manifestações? Cadê a Maitê Proença? Será que ela não vai
arrancar a blusa e escrever na suas costas “não é só 20 centavos”? Cadê o Zezé
di Camargo e Luciano (o Dom e Ravel do governo petista) para cantar sua tão
politizada canção “e Deus por nós”?
A mordaça
instalada por meio do dinheiro e das benesses estatais está sendo muito mais
eficiente do que a violência implantada nos “anos de chumbo” da história
brasileira. A censura do dinheiro é mais eficaz. Afinal, dinheiro fácil é o que
todo mundo gosta! Ah! Quanto ao Dom e Ravel, não era objetivo do texto falar
deles. Qualquer semelhança é mera coincidência!
*É Professor e Historiador formado pela UEM.